segunda-feira, 21 de julho de 2014

O Monstro do Parque

*Anderson dos Santos
Domingo, 7h00 da manhã e muito frio, mesmo assim, decido fechar meus treinos da semana no Parque Julio Fracalanza, na Vila Augusta, em Guarulhos.
Com um circuito bem pequeno e trajeto bastante irregular, o parque é meu "Golias" particular para treinos de 10 km (volta curtinha com subida e descida, sem descanso para os aventureiros).
Alonguei, pedi força e proteção aos deuses da corrida e fui. Já na primeira volta, eu o avistei entre as árvores, um gigante grisalho de corpo anatomicamente construído para corridas velozes...um verdadeiro monstro!
Ele aquecia totalmente concentrado e seu olhar gelado rivalizava com o frio matinal. Passei por ele desejando ter olhos nas costas, afinal, camaradagem entre corredores à parte, todo mundo sabe que a elite pede passagem.
Então, o monstro veio e passou por mim deixando para trás a nítida sensação que meu mundo girava em câmera lenta. Ele se movia de forma sincronizada, como se tudo fosse feito justamente para projetar velocidade (um Velociraptor caçando pode te dar uma vaga ideia do que vi).
A cada ultrapassagem fui ficando com cara de Brasil X Alemanha sabe? Cara, não deveria ter vindo aqui, não estou pronto...não mereço estar aqui!
Mas, eu já estava ali certo? Pronto ou não, eu faço 10 km e, por último, o parque é público, então posso correr aqui quando quiser.
Com o psicológico recuperado, fui em frente e lá pelo sétimo quilometro percebi que o gigante veloz não tinha pedido passagem.
Fechei a volta do circuito e dei de cara com ele parado, olhando atentamente para o relógio.  Na volta seguinte, vi que estava alongando e pensei comigo...ufa, já posso terminar meu treino sem pressão.
Então, algo realmente mágico (pra mim, claro) aconteceu. No fim de meu oitavo quilômetro, enquanto encarava mais uma vez a subida do pequeno circuito do Fracalanza, percebi que o gigante estava sentado descansando com os olhos fixos em mim.
Mantive o ritmo e, ao me aproximar, notei um sorrisinho de canto de boca e um breve aceno positivo de cabeça.
Ahhhh, aquilo foi demais. Cara, ainda bem que vim aqui, eu mereço estar aqui..eu estou pronto.
Outra volta finalizada e pude vê-lo deixando o parque.
Estava entrando no meu quilômetro de número nove quando ele partiu.
Corri o restinho do meu treino dominado por um pensamento incrivelmente feliz.
"Uau, o monstro do parque....sou eu!"

Monstro avistado nas imediações do Parque Julio Fracalanza

* Anderson dos Santos, 35 anos, é jornalista da Oxigênio Agência de Comunicação e fã incondicional de Manu, Fernanda, cinema e corrida. Vive em Guarulhos e treina sempre que pode, onde quer que esteja. É preciso dizer também que não abre mão de uma cervejinha bem gelada em ótima companhia. Afinal, nem só de corrida vive o homem, não é mesmo?

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Power songs – Bombay Bicycle Club – Evening/Morning

Confesso...

Escolher apenas um power song é uma tarefa dificílima.

Vinha adiando este post já há alguns dias, pois não conseguia escolher...

Entre um quilômetro e outro, ouvia uma faixa e afirmava convicto “É essa!”... 

Só que ai, vinha o malandro do shuffle e me surpreendia com algo ainda melhor...

Hoje, já na reta final do treino, enquanto olhava fixamente para o semáforo de pedestres, torcendo para que ele fechasse e me desse uns momentos de descanso, a música abaixo surgiu...

Bombay Bicycle Club já é uma banda de que eu gosto muito, mas esta música funciona pra mim como uma vida extra...  

No final das contas... Ainda bem que o sinal permaneceu verde pra mim!



segunda-feira, 14 de julho de 2014

Coração + força = corrida

Anderson dos Santos

Nossos leitores mais nerds (éééééé... nerd também corre) devem se lembrar que, em determinada época, o personagem de quadrinhos Flash, o homem mais rápido do Mundo, valia-se de uma fórmula geométrica para correr – ele a recitava e pronto, se transformava em um relâmpago vivo.


Bom, gosto de pensar que também tenho uma fórmula que me faz correr: coração + força = corrida.

Beleza, são duas palavras fortes, mas daí te fazer correr?

Entendo a desconfiança, mas deixe-me contextualizar, caro leitor.

Pra começar, estou muito longe de ser um corredor (jamais me chamaria de atleta) regrado e certinho. Também quero dizer que a primeira década dos anos 2000 seguiram sem qualquer traço de atividade física (jornalista boêmio não conta idas ao bar como exercício). Então, somente algo realmente poderoso poderia mudar meu adorável universo inerte, certo?

Foi exatamente o que aconteceu quando ouvi a frase "estamos grávidos".

Cara, fiquei tão feliz e, ao mesmo tempo, tão preocupado que, por amor a Manu, meu biscoitinho, decidi mudar.

Optei pela corrida, por ser uma atividade simples (sabe de nada, inocente!!!) e, logo ao começar, me apaixonei pelo esporte e por sua acolhida amorosa. Mesmo iniciantes, como eu, sabem que não interessa se jovem, rápido ou profissional, a corrida recebe a todos de braços abertos e eu sinto isso na pele o tempo todo, com gente me dando força, dicas, convidando para provas e compartilhando seus sons preferidos só para alegrar meu treino.

Logo, a única maneira que encontrei para retribuir todo esse amor foi demonstrar força sempre. E não se trata de quebrar recordes ou ir mais longe. Pra mim, quer dizer ter força para vencer a preguiça e levantar quando minhas meninas ainda estão dormindo, quer dizer lembrar o bem que a corrida me faz e ficar animado para treinar onde e quando puder. Acima de tudo, ter força quer dizer agradecer por todo e qualquer dia de treino (não tem jeito, sempre cedo à cobrança quando vejo meus resultados no aplicativo, mesmo sabendo que deveria apenas ficar feliz por ter feito).

Pode parecer bobagem e autoajuda barata, mas não... Ninguém pode negar os resultados de minha fórmula: já são dois anos ininterruptos de corrida, algumas provas e, hoje, faço uma média de três treinos de 10 km por semana (no começo eram treinos de 15 minutos e dores musculares incríveis).

E o mais bacana é que continuo recebendo apoio para seguir em frente, especialmente de um dos fundadores deste blog.

Magro, muito obrigado por todo incentivo, inclusive este, para escrever e compartilhar tudo de bom que a corrida nos traz.

Coração + força sempre e bora correr! 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Power songs - The Chemical Brothers 93-03

O álbum inteiro é incrível... Sempre me imagino entrando num túnel, com aquela paisagem cinza, salpicada de grafite... Parece triste, mas sempre que corro me vejo numa cidade escura, como num comercial incrível de tênis :)

Não sei explicar, mas esse tipo de música me deixa meio robotizada/focada ... Vou seguindo um ritmo e me transformo numa pessoa poderosa, costas eretas e tal.

Leave Home

sábado, 5 de julho de 2014

Checklist

- Disposição? Confere...

- Treinamento de acordo com a planilha? Confere...

- Inscrição? ... Veja bem...

Não sei se é praxe, mas imagino que não sou o único a passar por algo assim...

Lá naquela Terra de Ninguém, também conhecida como ‘Meus Documentos’, ao lado da adorada e orgulhosamente preenchida planilha de treinos, reside sua prima distante e mais velha chamada contas do mês.

Em um esforço que facilmente me qualificaria para o Cirque Du Soleil, tento equilibrar a segunda para que possa bancar os caprichos da primeira. Ou seja, inscrições para as provas, entre outras coisas.

Acontece que, por um capricho do destino e apesar de toda a destreza acumulada em anos de prática, acabei errando a mão...

A etapa São Paulo da Asics GoldenFour entrou para minha to-do list ainda no ano passado, em um incidente que descreverei aqui em algum momento. Circulei o dia 3 de agosto no calendário, resgatei mentalmente o percurso de outras provas disputadas na região do Jockey Clube, fiz as pazes com a planilha e comecei a treinar...

Era isso... Essa seria minha segunda meia maratona do ano... Na terça-feira, 1º de julho de 2014, quando já vencia os últimos quilômetros da av. Sumaré, pensei: Contas pagas, tudo encaminhado, acho que já posso me inscrever!

Voltei para casa e decidi que aquela seria minha primeira tarefa, apesar de Camila votar em banho.

Acessei o site, olhei o kit com cautela, avaliei o percurso novamente e comecei a avançar pelas páginas da Mysports, onde as inscrições são realizadas. Em poucos cliques me deparei com a opção ‘Escolha a Etapa’. Ao clicar em ‘São Paulo- 03/08’, contudo, um pop-up com a frase “Inscrições encerradas” saltou em minha direção. De imediato as palavras foram entendidas por meu cérebro como “Cara, deu um probleminha aqui... Mas não é nada com você, tá? Sei que você tá esperando essa prova há algum tempo e que está se preparando... Por que você não preenche o formulário de novo? Você vai ver que foi apenas um engano”.

Não era...

Discursei contra a injustiça, falei sobre a brincadeira de mau gosto dos organizadores ao colocarem a mensagem no final do processo de inscrição, quando poderiam fazê-lo logo de cara. Nada disso resolveu...

Desencanar do treinamento e de todo o trabalho? Correr na pipoca? Continuar reclamando?

Todas as opções me pareciam ótimas e terríveis ao mesmo tempo...

Por sugestão de Camila decidi pensar melhor sobre isso depois do banho...

Mais calmo, decidi que utilizaria a grana para me inscrever em outra prova (acabei escolhendo os 16k da segunda etapa do Circuito Athenas, prova em que Camila correrá o percurso de 5k), mas que manteria o dia 3 de agosto como meta para minha segunda meia maratona do ano.

Não terei chip, número de peito, postos de hidratação e nem os milhares de corredores por perto. Mas se nesse dia, por acaso, você decidir passar pela Sumaré logo pela manhã, posso garantir que verá um sujeito bastante determinado...

Se parar na padaria ou em algum outro ponto da via, verá o mesmo cara passando muitas vezes...

Bom... Agora... Onde eu estava mesmo?

Ah! Lembrei...

Perseverança? Confere...