Carol Penarotti*
Aos 13 anos, em meio a competições de atletismo (100m e revezamento) pela minha escola, fui convidada por um “olheiro” a treinar no grupo da cidade de Mirassol, onde morava desde os 7 anos. Na ocasião, minha mãe não achou que aquela era uma boa ideia, pois, além de minha pouca idade, os treinos aconteciam no campo do Mirassol Futebol Clube, ou seja, totalmente fora da rota diária de meus pais.
Uma pena! Quer dizer, confesso que não sofri com aquilo na época, mas de certa forma, este fato me trouxe uma questão que sempre me vem à cabeça: “O que seria de mim se eu tivesse levado uma vida de atleta?”
Sempre pratiquei esportes e posso dizer que me mantive ativa por toda a minha adolescência, mas...
Aos 18 anos me mudei para São Paulo. Com a mudança (que ocorreu de forma bem radical), de uma hora para outra me vi estudando, trabalhando e dormindo. Foram quase 10 anos assim... Sedentária... Tentei frequentar a academia diversas vezes, mas o ritmo da cidade me cansava e eu sempre acabava desistindo.
Foi assim até que, em fevereiro de 2013, durante uma conversa com meu noivo e um casal de amigos, tomei uma sacudida para a qual não posso dizer que estava totalmente preparada... Naquele bate-papo, me dei conta de que 2014, mais conhecido como o ano de meu casamento, seria também o ano em que eu completaria 30 anos...
É... Não foi qualquer sacudida... Foi o que podemos chamar de uma SENHORA Sacudida...
Ah! Vale lembrar também que, como pretendo me preparar para ser mãe em breve, já queria realizar algumas mudanças. Afinal, preciso cuidar de mim, para poder cuidar de outra pessoinha, né? Foi assim que, além de cuidar melhor de meu corpo e de minha alimentação, com o incentivo dos amigos, comecei também a correr... Posso dizer que, sem dúvida, aquela foi uma conversa muito importante para mim...
Me matriculei na yoga e ganhei em respiração, concentração e equilíbrio. Um mês depois, quando comecei a correr para valer, já não sentia aquelas incômodas dores laterais, que vêm com a respiração errada.
Em quatro meses eu estava totalmente viciada. Queria/Precisava correr todos os dias. A sensação de completar meus primeiros 10k, de participar das provas de rua e sentir a energia boa vinda dos corredores... É até difícil descrever...
O corpo começou a mudar... Estava mais forte... Mais resistente...
Foi ai que... Bom...
Bem no meio desta empolgação, tive outra reviravolta... Troquei de emprego e larguei tudo de novo... O sedentarismo reinou soberano por outros cinco meses, enquanto eu me adaptava à nova rotina.
O casamento, que não tinha nada a ver com isso, veio se aproximando... Foi então que, durante a primeira prova de vestido (vou casar com o vestido que minha mãe usou em seu casamento), fui surpreendida com a costureira dizendo: “você está no limite”.
SUSTO... Eu NUNCA escutei algo parecido... NUNCA precisei me preocupar com isso... E NÃO, ela realmente NÃO estava brincando... Era hora de mudar mesmo!
Voltei para a academia e, claro, voltei a correr.
Fiz uma avaliação física e descobri que meu índice de gordura era bom (toma essa, costureira!) e isso, claro, serviu de estimulo. Se parada, estava bem de saúde, imagine se estivesse me dedicando a algum esporte? Já era meio caminho andado.
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| Então, tá.... Quem é que está no limite agora? |
Retomei a rotina. Logo, baixei o
Nike+Running e comecei uma (na maioria das vezes) saudável disputa com alguns amigos corredores. Acho que, no final das contas, o app acabou sendo mais um estímulo, pois outra característica importante sobre mim é que adoro ser desafiada e estar entre os primeiros.
Neste período, meu noivo iniciou um projeto internacional e precisaria ficar fora do país por, mais ou menos, dois meses. Fizemos, então, uma aposta sobre quem estaria melhor no casamento. Tiramos fotos e guardamos. Pronto, fui desafiada de novo...
Precisaria: a-) me casar usando o vestido de minha mãe, e b-) estar melhor que meu noivo, que nunca deixou de praticar esportes.
Decidi mudar minha rotina e alimentação. Passei a acordar às 5h00 todos os dias, para malhar antes do trabalho (é o horário em que tenho mais energia) e comecei a inserir alimentos que, até então, eram
non gratos em meus pratos.
Quatro meses depois, o vestido precisou apenas de um pequeno ajuste... PRA MENOS (quem é que está no limite agora?).
Feliz da vida e, para entrar um pouquinho mais no clima do casório, fiz uma playlist com algumas das musicas que farão parte da festa. Descobri que Sidney Magal e Wando têm o poder de me fazerem correr sorrindo. Fico só imagino a pista e os convidados dançando estranhamente.
Pronto, está tudo ali, a emoção do grande dia, as musicas que me fazem viajar, o corpo mudando, a ansiedade e tensão longe de mim e a cabeça e o coração num ritmo bom, além de inúmeros desafios vencidos.
A próxima vitória será sobre o noivo, que em vez de dois, acabou ficando cinco meses fora (aposto que até engordou).
Bom, hoje falta pouco mais de um mês para o casório, mas antes de responder a uma das questões mais importantes de minha vida (a resposta é sim, viu Jorge?), acho que já tenho resposta para aquela pergunta que me acompanha há tanto tempo... Levando uma vida de atleta, assim como a que pretendo levar daqui para frente, o resultado só poderia ser saúde!
*Carol Penarotti, 30 anos, trabalha com Marketing de Luxo, vive e treina em São Paulo, mas ama mesmo praia e sol. Trocou o queridinho pão francês por tapioca com banana, mel e canela. Suco de limão, suco verde e gengibre também fazem parte do seu dia a dia. Não troca uma manhã de treino por uma manhã de preguiça e adora a sensação do corpo dolorido e da cabeça leve.