Diferentes estilos, passadas longas, curtas, tênis coloridos, outros mais sóbrios, expressões de concentração, cansaço, air guitars... Acho que seria mais fácil listar o que não se vê quando se está correndo pelas ruas de São Paulo. Ultimamente, contudo, algo tem chamado muito a minha atenção.
Desde que retomei a rotina de treinos, tenho saído de casa por volta das 7 horas e, neste horário, ao passo em que as filas de carros ganham corpo, as expressões dos motoristas perdem em brilho e cordialidade.
A disputa por alguns metros é atroz. Faixas de pedestres são invadidas, cruzamentos são fechados, buzinas operam com toda a capacidade... É como se cada um tivesse a sua própria Cúpula do Trovão... Dentro de seus veículos, motoristas não enxergam outros carros, bicicletas e nem mesmo outras pessoas... Enxergam obstáculos entre eles e o seu destino...
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| Como o Sr. Motorista se vê |
| Como o Sr. Motorista mostra seu domínio sobre essa terra de ninguém chamada faixa de pedestres |
Mas o que realmente me impressiona é que, quando não estão brigando, estas pessoas encaram o mundo exterior com o olhar perdido, como se imaginassem o que estariam fazendo se estivessem fora de seus automóveis... A expressão que me vem à cabeça mais facilmente para justificar tamanho martírio é a famosa "ossos do ofício", mas... sei lá... será que isso é realmente necessário?
Hoje em dia, trabalhamos muito, mirando a qualidade de vida no futuro... Mas depois de tanto desgaste, você terá vida suficiente para que ela seja de qualidade?
Importante! Não estou sugerindo que as pessoas larguem seus empregos e abandonem seus automóveis (mesmo imaginando que isso daria uma boa aliviada nos ares da cidade). Acho apenas que, quando alguém sofre desta forma já nas primeiras horas do dia, a pergunta óbvia a se fazer seria: vale a pena?
Com o atropelamento ocorrido na USP no último sábado, mesmo em uma situação totalmente diferente, envolvendo um motorista embriagado em uma área de tráfego restrito, pensar sobre a violência no trânsito é algo que, imagino, todo corredor fez pelo menos uma vez... Mas e quanto aos motoristas? Será que existe uma reflexão sobre seu papel para a redução de toda essa agressividade sobre rodas? Hoje em dia, tenho a impressão de que ninguém cede passagem, a não ser que haja uma sirene envolvida. Da mesma forma, não vejo ninguém respeitando a preferência do pedestre em áreas de travessia sem semáforo....
Claro que, para solucionar todos os problemas no trânsito, uma discussão muito maior se faz necessária, mas acho que se cada motorista trocasse o volante pelo tênis de corrida, pelo menos uma vez, talvez pudesse perceber com um pouco mais de clareza a loucura de que estou falando...

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