Acredito que, das muitas
definições para o que sinto hoje com relação às corridas, a melhor é a de Haruki Murakami em seu “Do que eu falo quando falo de Corrida”.
Mas, diferente do autor e maratonista, a Runner’s
Blue, ou tristeza do corredor, não me abateu depois de uma ultramaratona.
Na verdade, ela me pegou num período de lesão e, disfarçada de preguiça, tratou
de minar o ímpeto e a disposição que me faziam saltar da cama às 4h40, todos os
dias. Pouco a pouco, essa sensação foi transformando a rua, com a qual tinha um
relacionamento próximo e cumplice, numa conhecida distante, daquelas para as
quais se faz um aceno de cabeça apenas quando o encontro de olhares é
inevitável.
Ok. Não posso dizer que foram só
perdas neste período. Além de agradáveis manhãs preguiçosas com a minha esposa,
durante o último período da gravidez e, mais recentemente, da adaptação ao
nosso filho (que bagunçou um bocado com nossos horários), pude zerar de vez a
lesão no tornozelo esquerdo que tanto me atormentava. Infelizmente, entre os
ganhos, posso acrescentar também o peso, que ganhou a companhia de pesarosos 10
quilos.
Hoje, ao cruzar com a boa e velha
Avenida Sumaré, senti saudades. Deu pra ver que alguns rostos não mudaram, mas
de onde os vi, todos pareceram passar muito mais rápido do que eu costumava me
lembrar.
Respirei fundo e percebi que era hora de fazer algo a
respeito!
Quer saber? Acho que o pique estar alguns
quilômetros à frente. Precisarei correr até lá para encontrá-lo.
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